segunda-feira, 25 de abril de 2011

Azeitonas que Não Foram Espremidas

Azeitonas que não conheceram a pressão,
nunca podem azeite conceder;
Se as uvas escaparem do lagar,
o vinho da alegria nunca pode fluir;
Só sendo triturado é que o nardo
pode difundir sua fragrância.
Recuarei então do sofrimento,
ao qual Teu amor induz?
Cada golpe que sofro, é verdadeiro
ganho para mim;
No lugar daquilo que tiras,
Tu te das a Ti mesmo a mim.

As cordas do meu coração
precisam ser esticadas por Ti,
Para provar a música Divina?
A música mais doce deve vir,
do duro tratamento do Teu amor?
Senhor, não temo qualquer privação,
se eu for atraído a Ti;
Quero me entregar em plena rendição,
pra ver todo o Teu coração de amor.

Estou envergonhado, Senhor,
por buscar, guardar sempre a mim mesmo;
Embora Teu amor tenha feito seu despojamento,
Ainda me senti constrangido por Teu caminho.
Senhor, conforme o Teu prazer,
Completa Tua obra em mim;
Desconsiderando meus sentimentos humanos,
Faça apenas o que Te agrada.

Se Tua mente e a minha foram diferentes,
Segue Teu caminho, Senhor;
Se Teu prazer significa minha tristeza,
ainda assim meu coração dirá: Sim!
É meu profundo desejo Te agradar,
Embora eu possa sofrer perdas;
Mesmo que Teu prazer e glória,
signifiquem que eu suporte a Cruz.

Oh, Te louvarei mesmo chorando,
Mistura-Te com meu cântico;
Tua crescente doçura provoca,
louvores de gratidão o dia todo.
Tu fizeste a Ti mesmo mais precioso,
Do que tudo para mim;
Cresça, Tu Senhor, e eu diminua
Esta é agora minha única súplica.

Autor: Watchman Nee


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Conhecendo e Testemunhando

W. H. Griffith Thomas

Então, ele disse: "O Deus de nossos pais, de antemão, te escolheu para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires uma voz de sua própria boca, porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das cousas que tens visto e ouvido." (Atos 22:14,15)

Quando o Senhor encontrou Saulo de Tarso no caminho para Damasco, Saulo fez duas perguntas ao Senhor: "Quem és tu, Senhor?" e "Que farei, Senhor?" A primeira pergunta expressa o desejo de um conhecimento pessoal daquele que lhe apareceu. A segunda pergunta expressa disposição de fazer a Sua vontade.

Essas duas perguntas, que estavam tão intimamente ligadas por ocasião da conversão do apóstolo Paulo, permaneceram inseparavelmente associadas no restante da sua vida sobre a terra. Assim deve ser na vida de cada cristão. O primeiro passo da vida cristã deve ser seguido por um relacionamento para toda a vida com Aquele que revelou a Si mesmo para nós. A segunda pergunta:"Que farei eu, Senhor?" praticamente resume toda a vida cristã a partir do momento em que uma pessoa se converte ao Senhor. O apóstolo descobriu que o segredo da paz e poder, da satisfação e do serviço reside naquele desejo de, ao longo de toda a vida, conhecer e fazer aquilo que o Senhor Jesus iria lhe revelar.

Em primeiro lugar, temos aqui o propósito divino. Aprouve ao Deus de nossos pais tornar a Sua vontade conhecida a nós. Este é o propósito divino para cada um de nós - que conheçamos a Sua vontade. A vontade de Deus é a primeira e também a última coisa em Sua revelação para nós. Conhecer e fazer a vontade de Deus é tudo. De acordo com o livro de Salmos, o Messias que haveria de vir fez a seguinte declaração: "Eis aqui estou, agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu."

Quando Deus descreve o homem ideal, Ele usa as seguintes palavras:"homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade." A primeira parte da oração-modelo que o Senhor Jesus ensinou a todos os Seus discípulos em todas as gerações está relacionada com o propósito e glória divinos e tem como ponto culminante a declaração: "Seja feita a Tua vontade." Da mesma forma, em relação à salvação da humanidade, está escrito: "Assim, pois, não é da vontade de vosso Pai que pereça um só destes pequeninos." Deus deseja que todos os homens cheguem ao conhecimento pleno da verdade. No que diz respeito à santificação do crente, está escrito: "Pois essa é a vontade de Deus: a vossa santificação." E, com relação ao futuro, à nossa morada celestial, lembramos imediatamente das palavras do Mestre: "Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste...". Sendo assim, em todas as coisas e de todos os pontos de vista, conhecer a vontade de Deus é tudo. A vontade de Deus dá alegria, dignidade, poder e glória para a vida. Como somos encorajados, até mesmo na realização daquelas tarefas que costumamos chamar comuns e triviais, quando percebemos que todas as coisas em nossa vida diária estão, de uma forma ou de outra, incluídas na vontade de Deus!

Há um hino intitulado "Seja feita a Tua vontade", que, apesar de muito bonito, contém uma inverdade, pois apresenta em seus versos um ensino inadequado a respeito da vontade de Deus. Esse hino foi escrito por uma irmã, cuja vida foi caracterizada pelo sofrimento, e nós sabemos que, para esta irmã específica, era da vontade de Deus que ela passasse por aquela experiência de sofrimento. Contudo, de acordo com o ensino da Palavra de Deus, um outro aspecto deve ser considerado: na vontade de Deus estão incluídos tanto a ação quanto o sofrimento. Não precisamos esperar a vinda de "dias melhores" a fim de cantarmos "Seja feita a Tua vontade." Mais do que meramente suportar o sofrimento de acordo com a vontade de Deus, nós podemos, aqui e agora, não somente cantar, mas fazer a vontade de Deus.

É propósito de Deus que nós conheçamos a Sua vontade. Essa deve ter sido uma lição surpreendente para Saulo de Tarso. Ele pensava que conhecia a vontade de Deus. Sendo judeu e membro do Sinédrio, Saulo deveria conhecer a vontade de Deus. No entanto, Ananias, aquele humilde discípulo, foi enviado a Saulo e lhe falou a respeito do "Deus de nossos pais." Saulo estivera equivocado. Ele pensava conhecer a vontade de Deus, mas não a conhecia. Há muitos cristãos hoje em dia que se encontram exatamente nesta mesma posição. É possível que eles sejam cristãos já há muitos anos; talvez eles se sintam orgulhosos do conhecimento que possuem, de sua ortodoxia, de sua participação nas atividades da igreja, da posição que eles ocupam entre os demais irmãos. Contudo, eles ainda não conhecem a vontade de Deus. É possível que esses irmãos venham, durante esta semana, a receber uma tal revelação da vontade de Deus que vai surpreendê-los completamente. "...se não vos tornardes como crianças..." - essa é a condição para conhecermos a vontade de Deus. Mas nós, como Naamã dizemos:"Pensava eu ...", e é exatamente nessa forma de pensar que reside o nosso equívoco. Nós dizemos: "Eu pensava que cristianismo era assim; ou dizemos: "eu pensava que nisso consistia a santidade..." ou ainda: "eu pensava que ser membro da igreja significava agir dessa forma ... eu pensava que a vida cristã, a pregação e a obra eram tais e tais coisas ..." Como Naamã, dizemos: "Pensava eu...!" Talvez, antes ainda que chegue o fim-de-semana, muitos venham a conhecer a vontade de Deus de um modo como nunca a tinham visto anteriormente - o propósito divino passará a ser parte de suas vidas.

Em segundo lugar, temos o plano divino: ver o Justo e ouvir a voz de Sua própria boca. Ouvir a Sua voz para agir de acordo com o propósito divino. Esse era o plano divino. Primeiramente, o contato pessoal com Jesus Cristo - ver o Justo. A visão de Jesus Cristo passaria a ser tudo para Saulo de Tarso ao longo de toda a sua vida. Mas como Saulo deveria ver a Cristo? Como "o Justo!" Sabemos que, às vésperas de Sua crucificação, nosso bendito Senhor falou a Seus discípulos que o Espírito seria enviado a fim de convencer o mundo da justiça "porque eu vou para o Pai." Naquela época, o mundo tinha a impressão que Jesus Cristo era um "injusto" e o mataram. Eles pensavam seriamente que Ele era injusto, um blasfemador e, por isso, o rejeitaram. Mas Deus o levantou de entre os mortos, porque Ele era o Justo. Além disso, ele não poderia ter ido para o Pai caso não fosse justo. Ele disse que o mundo seria convencido do pecado porque: "eu vou para o Pai."

Saulo de Tarso estava plenamente convencido deste fato. E Saulo ouviu a voz lhe dizer:"Eu sou Jesus, o nazareno, a quem tu persegues." Se o Senhor tivesse dito: "Eu sou o Filho de Deus a quem tu persegues, "Saulo poderia responder: "Eu nunca te persegui!" Mas o Senhor disse: "Eu sou Jesus de Nazaré" -- nome este que odeias -- "a quem tu persegues." Assim, foi revelado a Saulo que Jesus de Nazaré estava com o Pai e, portanto, era justo.

Jesus, o Justo -- é apenas um outro modo de dizer: "o Senhor, nossa justiça." Ainda é plano de Deus que cada um de nós tenha contato pessoal com Cristo como o "Senhor, a nossa justiça". A visão do "Senhor, nossa justiça " nos purifica. A visão do "Senhor, nossa justiça" -- nos santifica, nos qualifica e glorifica. Será que você, querido irmão, já teve esta visão? Será que nós já vimos o Senhor como nossa justiça para um passado cheio de culpa? Será que já o vimos como nossa justiça para o presente manchado pelo pecado? Será que o conhemos como nossa justiça tendo em vista um futuro perfeito?

Ver o Justo - eu não tenho dúvida alguma que, durante esta semana, muitos verão o Justo. Eles o verão, talvez, em primeiro lugar para sua justificação e, depois, também o verão para a sua santificação.

É preciso vê-lo para nossa justificação. Não aprenderemos nenhuma lição sobre a santificação a menos que, em primeiro lugar, tenhamos conhecido o Senhor como nossa justiça, para nossa justificação. Romanos 3 e 4 devem vir antes de Romanos 6 a 8. A porta de entrada é a justificação, não a santificação. A ordem divina não é justificação através da santificação, mas o contrário, ou seja, santificação através da justificação, através da visão do "Senhor, a nossa justiça!"

Receber uma comunicação pessoal de Jesus Cristo também era parte do plano - Saulo não deveria apenas ver o Justo, mas também "ouvir a voz do Senhor." Que tremendo golpe isso deve ter sido para o orgulho de Paulo - ouvir a voz de Sua boca, a voz do Nazareno, a voz daquele a quem Saulo estivera perseguindo. Saulo deveria ouvir a voz da vontade de Deus através da voz do Nazareno. Naquela manhã, a caminho de Damasco, Saulo descobriu que havia mais coisas no céu e na terra do que ele, em sua filosofia, jamais havia imaginado. Deus tinha um novo modo de revelar a Sua vontade; Saulo deveria "ouvir a Sua voz." Da mesma forma deve ocorrer hoje. Sem dúvida alguma ouviremos, no decorrer desta semana, muitas palavras de Cristo através de Seus servos. Mas isso não será suficiente. Nós precisamos ouvir a voz da Sua boca, devemos ter contato com Cristo através de Sua Palavra; temos de encontrar-nos com Cristo diretamente, face a face e ouvir a voz de Deus falando pelo Espírito Santo.

Em terceiro lugar, temos o projeto divino : "porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido." Esse é o ponto culminante. O propósito e o plano conduziram a este projeto. O que significa "...terás de ser Sua testemunha"? Ser testemunha não significa ser um juiz. Saulo estivera tentando realizar o trabalho de um juiz, e o resultado foi um desastre. Saulo deveria ser não um eco - vago, vazio e sem utilidade prática, não um filósofo, nem mesmo um teólogo, mas uma "testemunha". Tudo o que Deus nos dá, tudo o que Deus nos diz tem como propósito que sejamos testemunhas de Cristo, dando nosso testemuho acerca dele. Provavelmente nenhuma outra palavra seja usada com tanta freqüência no Novo Testamento a fim de expressar o que o cristão deve ser e fazer.

Uma testemunha - alguém que tem conhecimento direto; uma testemunha - alguém que tem experiência pessoal; uma testemunha - alguém que fala e vive tendo conhecimento obtido através da experiência, alguém que fala e vive fielmente, com franqueza e sempre destemido. Somos pais? Devemos ser testemunhas. Nossa autoridade como pais fracassa na mesma proporção em que não temos autoridade como testemunhas. Somos mestres? Só ensinaremos com autoridade quando o que ensinarmos for resultado de algo que experimentamos pessoalmente. Somos escritores? Nossos escritos devem refletir nossa experiência pessoal. O motivo pelo qual atualmente tantos livros sobre a Bíblia e assuntos teológicos são tão secos, insípidos, sem proveito e não convincentes, é porque eles não têm aquela marca do testemunho pessoal por trás dos aspectos da verdade que desejam apresentar. Somos filósofos - recebemos da parte de Deus habilidade intelectual, capacidade para escrever e falar? Nossa filosofia não terá qualquer utilidade, a menos que seja baseada em experiência pessoal. Somos líderes na igreja ou na comunidade? Deus nos concedeu capacidade para administrar? Tais habilidades de nada servirão a menos que nossa vida esteja permeada com o brilho de algo experimentado pessoalmente.

"Terás de ser sua testemunha". Mas em que cirscunstâncias? "Diante de todos os homens." Nosso primeiro testemunho deve ser em nossa casa. Aqueles que estão mais próximos de nós, nossos familiares, estarão nos observando cuidadosamente. Eles desejarão saber o que o Senhor Jesus é para nós - se nós vimos o Senhor, se nós ouvimos Sua voz.

Também teremos de ser testemunhas em nossa congregação. Deveremos declarar o que Deus fez por nossas almas; seja em nossa pregação, seja em nossa prática na vida e obra da igreja, este grande testemunho pessoal de Cristo deve permear todas as coisas.

Possivelmente teremos de ser testemunhas na cidade em que vivemos, posicionando-nos a favor da moralidade, justiça social e pureza. Tenho absoluta certeza que a expressão "diante de todos os homens" significará para alguns trabalho missionário, o qual consiste basicamente na obra de testemunhar. Não apenas a obras de ensinar e treinar obreiros, mas testemunhar a todos os homens acerca das coisas que temos ouvido e visto. O poder disso é incalculável. Em primeiro lugar, o poder do testemunho pessoal é algo para nós mesmos. O apóstolo Paulo está narrando esta história em Jerusalém muitos anos depois de ter recebido aquela visão, mas à medida em que ele faz o seu relato, aqueles eventos retornam à sua memória tão vivos e cheios de significado quanto no momento em que ocorreram. Assim também deve ser conosco quando olhamos para trás. É possivel que já tenha se passado dez, quinze ou vinte anos desde que nos convertemos, mas nós não devemos ficar vivendo meramente de lembranças. Nós devemos voltar com alegria ao fundamento e aos fatos de nossa experiência pessoal e, nela, encontrar a promessa de todas as coisas em nossa vida cristã. Nós temos de ser capazes de dizer: "Eu sei em quem tenho crido". À medida que contamos a história daquilo que Deus tem sido ao longo de todos aqueles anos, nossa fé será fortalecida, nossa confiança arraigada e alicerçada em Cristo. E, apesar de todas as tentações para duvidar e entrar em desespero, nós olharemos para o Senhor e diremos:

Aquele que experimentou o Espírito do Altíssimo,
Não pode confundir-se, nem dele duvidar ou negá-lo;
Ao contrário, negue, em alto e bom som, o mundo,
Permaneça, pois, ao Seu lado.

Em segundo lugar, o poder do testemunho pessoal é algo para os nossos semelhantes. O testemunho de nossa expêriencia pessoal é um argumento a favor do cristianismo que não pode, de modo algum, ser questionado. Paulo estava em Jerusalém entre seus velhos amigos. Havia uma multidão à sua volta. Seria aquele um momento para " expressar sua eloqüência? ou habilidades pessoais, ou capacidade de argumentar?" Não, Paulo usou aquela oportunidade para uma só coisa: um testemunho pessoal daquilo que Jesus Cristo era para ele. Não há maior inimigo para o cristianismo nos dias de hoje do que uma mera confissão. Não há maior desonra para o cristianismo atualmente do que alguém proclamar-se cristão e, ao mesmo tempo, não viver o cristianismo na vida diária. Não há maior perigo hoje em dia no mundo cristão do que falarmos a favor da Bíblia e, no entanto, negarmos a Bíblia pelo nosso modo de vida. Não há maior empecilho para o cristianismo hoje do que defender a ortodoxia, seja qual ela for e, ao mesmo tempo, negá-la pela secura e indiferença com que defendemos nossa causa.

Oh, este poder do testemunho pessoal - ter o coração cheio do amor de Cristo, a mente saturada com o ensino de Cristo, a consciência sensível à lei de Cristo, ter todo o nosso ser resplandecendo com a graça e amor de nosso Senhor Jesus Cristo! Esse é o propósito de Deus, esse é o plano de Deus para nós.

Quando santidade e serviço estão presentes, então a felicidade necessariamente também estará presente. Assim, nós também devemos conhecer, ver, ouvir e então ser testemunhas. Nós estamos agindo dessa forma? Há pessoas no mundo ao nosso redor que nunca abriram uma Bíblia. Eles nunca leram a Bíblia, mas estão lendo as nossas vidas. Será que as pessoas podem ver Deus em nossas vidas? Elas podem olhar para nós e dizer: "Eis alguém que me lembra a Cristo". Estamos nós permitindo que nossa luz brilhe para que os homens possam ver, não a nós, mas nosso Pai, nosso Salvador em nós; e glorificar, não a nós, mas nosso Pai que está no céu? Esse é o real teste de uma conferência como esta. Portanto, vamos viver na presença de Deus; vamos entregar-nos ao Cristo de Deus; vamos nos manter bem próximos à Palavra de Deus; recebamos em nossos corações a graça de Deus, busquemos a plenitude do Espírito de Deus e, então, vivamos ainda mais intensamente para a glória de Deus.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Como Passar o Dia com Deus

Richard Baxter

"Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus"

Sono

Controle o tempo do seu sono apropriadamente, de modo que você não desperdice as preciosas horas da manhã preguiçosamente em sua cama. O tempo do seu sono deve ser determinado pela sua saúde e labor, e não pelo prazer da preguiça.

Primeiros Pensamentos

Dirijam a Deus os seus primeiros pensamentos ao acordar, elevem a Ele o coração com reverência e gratidão pelo descanso desfrutado durante a noite e confiem-se a Ele no dia que inicia. Familiarizem-se tão consistentemente com isto, até que a consciência de vocês venha a acusá-los quando pensamentos ordinários queiram insurgir em primeiro lugar. Pensem na misericórdia de uma noite de descanso, mal acomodados, padecendo dores e enfermidades, cansados do corpo e da vida. Pensem em quantas almas foram separadas dos seus corpos nesta noite, aterrorizadas por terem que se apresentar diante de Deus, e em quão rapidamente os dias e noites estão passando! Quão rapidamente a última noite e dia de vocês virão! Considerem no que está faltando no preparo da alma de vocês para tal momento e busquem isso sem demora.

Oração


Acostumem-se a orar sozinhos (ou com o cônjuge) antes da oração coletiva em família. Se possível, que isto seja feito antes de qualquer outra ocupação.


Culto Familiar

Realizem o culto familiar consistentemente e em uma hora em que é mais provável que a família não sofra interrupções.

Propósito Básico

Lembrem-se do propósito básico da vida de vocês, e quando estiverem se preparando para trabalhar ou realizar atividade neste mundo, que a inscrição santos para o Senhor esteja gravada no coração de vocês em tudo o que fizerem. Não realizem nenhuma atividade que não possam considerar agradável a Deus, e que não possam verdadeiramente afirmar que Deus a aprova. Não façam nada neste mundo com nenhum outro propósito que não agradar a Deus, glorificá-lO e gozá-lO. O que quer que fizerdes, fazei tudo para a glória de Deus (1 Co 10.31).

Diligência na Vocação

Realizem as tarefas concernentes à ocupação de vocês cuidadosa e diligentemente. Assim fazendo: Vocês demonstrarão que não são preguiçosos e escravos da carne (como aqueles que não podem negar-lhe o comodismo); e estarão mortificando todas as paixões e desejos que são alimentados pelo comodismo e preguiça. Vocês estarão mantendo fora da mente os pensamentos indignos que fervilham nas mentes de pessoas desocupadas.
Vocês não estarão desperdiçando tempo precioso, algo do que pessoas desocupadas se tornam diariamente culpadas. Vocês estarão num caminho de obediência a Deus, enquanto que os preguiçosos estão em constante pecado de omissão. Vocês poderão dispor de mais tempo para empregar em deveres santos se realizarem suas tarefas com diligência. Pessoas desocupadas não têm tempo para os dev eres espirituais, porque desperdiçam tempo demorando-se em seus trabalhos. Vocês poderão esperar bênçãos da parte de Deus e provisões confortáveis para vocês e para as suas famílias.
Isto também pode exercitar o corpo de vocês, o que poderá habilitá-los mais para o serviço da alma.

Tentações e coisas que Corrompem

Estejam perfeitamente familiarizados com as tentações e coisas que tendem a corromper você, e sejam vigilantes o dia todo contra isso. Vocês devem estar alertas especialmente para as tentações que têm se mostrado mais perigosas e cuja presença ou emprego sejam inevitáveis. Estejam alertas contra os pecados mestres da incredulidade: a hipocrisia, a auto-suficiência, o orgulho, o agradar a carne e o prazer excessivo nas coisas terrenas. Tenham cuidado para não se deixarem atrair para uma mente mundana, e para os cuidados excessivos , ou desejos cobiçosos pela abastança, sob a pretensão de serem diligentes no trabalho de vocês. Se tiverem que negociar com outras pessoas, tenham cuidado contra o egoísmo ou qualquer coisa que se assemelhe à injustiça ou falta de caridade. Ao lidar com as pessoas, estejam alertas para não usarem de palavras vãs e desocupadas. Sejam vigilantes também com relação às pessoas que tentam vocês à ira (ou a qualquer tipo de pecado). Mantenham a modéstia e a clareza, no falar, que as leis da pureza requerem. Se tiverem que conviver com bajuladores, sejam vigilantes para não se deixarem inchar de orgulho. Se tiverem de conviver com pessoas que desprezam ou injuriem vocês, resistam contra a impaciência e o orgulho vingativo. No início estas coisas serão muito difíceis, enquanto o pecado for forte em vocês. Mas tão logo tiverem adquirido profunda compreensão do perigoso veneno de qualquer destes pecados, o coração de vocês irá pronta e facilmente evitá-los.

Meditação


Quando estiverem sozinhos nas ocupações de vocês, aprendam a remir o tempo em meditações práticas e benéficas. Meditem na infinita bondade e perfeições de Deus, em Cristo e na obra da redenção, nos céus e em quão indignos são de irem para lá e em como vocês merecem a miséria eterna do inferno.

Remindo o Tempo

Valorizem o tempo de vocês. Sejam mais cuidadosos em não desperdiçá-lo do que o são em não desperdiçar dinheiro. Não permitam que recreações inúteis, conversas vãs e companhias não proveitosas, ou o sono roubem o preciosos tempo de vocês. Sejam mais cuidadosos em escapar das pessoas, ações ou situações da vida que tendem a roubar o tempo de vocês do que o seriam em escapar de ladrões ou salteadores. Certifiquem-se não apenas de não estarem sendo desocupados, mas de estarem usado o tempo de vocês da maneira mais proveitosa possível. Não prefiram um caminho menos proveitosos à um outro de maior proveito.


Comer e Beber

Comam e bebam com moderação e gratidão, para serem saudáveis e não por prazer inútil. Jamais satisfaçam o apetite pela comida ou bebida quando isto tender a fazer mal à saúde de vocês. Lembrem-se do pecado de Sodoma : "Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade, teve ela e suas filhas..." (Ez.16:49).
O Apóstolo Paulo chorou quando mencionou aqueles: "cujo destino é a destruição, cujo deus é o ventre, e cuja glória está na infâmia; visto que só se preocupam com as coisas terrenas" (Fp.3:19). Estes são chamados de inimigos da cruz de Cristo (v.1 8). "Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Rm 8.13).


Pecados Prevalecentes (queda em pecado)

Se qualquer tentação prevalecer, e vocês vierem a cair em qualquer pecado adicional às deficiências habituais de vocês, lamentem imediatamente e confessem isto a Deus. Arrependam-se rapidamente, custe o que custar. Certamente custará mais ainda continuar no pecado e sem arrependimento. Não façam pouco caso das falhas habituais de vocês, mas confessem-nas e esforcem-se diariamente contra elas, tendo cuidado para não agravá-las pela falta de arrependimento e pelo descaso.

Relacionamentos

Atentes diariamente para os deveres especiais relativos aos vários relacionamentos de vocês, seja na condição de maridos, esposas, filhos, patrões, empregados, pastores cidadãos ou autoridades. Lembrem-se que cada relação tem seus deveres especiais e seus proveitos da realização de algum bem. Deus requer de vocês fidelidade nestes relacionamentos, bem como em quaisquer outros deveres.

Ao Final do Dia

Antes de dormir, é sábio e necessário relembrar as nossas atitudes e misericórdias recebidas durante o dia que termina, de maneira que sejam agradecidos por todas as misericórdias recebidas e humilhados por todos os pecados cometidos. Isto é necessário a fim de que vocês possam renovar o arrependimento bem como ser mais resolutos na obediência, e a fim de que examinem a si mesmos, para ver se a alma de vocês progrediu ou piorou, para ver se o pecado foi diminuído e a graça aumentada; e para avaliar se vocês estão mais preparados para o sofrimento, para a morte e para e eternidade.

Conclusão

Que estas instruções sejam gravadas na mente de vocês e se tornem prática diária nas suas vi das. Se vocês observarem sinceramente estas instruções, elas conduzirão vocês à santidade, à frutificação, à tranqüilidade na vida, e ainda acrescentarão a vocês uma morte confortável e em paz.

domingo, 10 de abril de 2011

Como levar pessoas a Cristo
Lições básicas sobre a vida cristã prática

Watchman Nee


“Aquele que ganha almas é sábio” (Provérbios 11:30).

Olhemos o assunto de como conduzir pessoas ao Senhor a partir de dois ângulos: primeiro, nos aproximando de Deus em favor dos pecadores; e em seguida, nos aproximando dos pecadores da parte de Deus, e a técnica de como conduzir pessoas ao Senhor.

APROXIMANDO-NOS DE DEUS EM FAVOR DOS PECADORES

A oração é básica para a salvação das almas

Existe um princípio fundamental na salvação das almas, e é que, antes de falar com uma pessoa, devemos orar a Deus. Primeiro orarmos ao Senhor e em seguida poderemos falar. É absolutamente necessário interceder diante de Deus em favor da pessoa a quem será falado mais adiante. Se falarmos a ele antes de orar, não obteremos nada.

Portanto, a primeira coisa que devemos fazer é pedir a Deus algumas almas. «Todo o que o Pai me dá, virá a mim...» (João 6.37), disse o Senhor Jesus. E também recordamos como Deus acrescentava cada dia à igreja aos que iam sendo salvo (Atos 2.47). Devemos pedir a Deus pelas almas. Precisamos orar: «Oh Deus, nos dê almas para o Senhor Jesus, acrescente pessoas à igreja». As pessoas são dadas quando as pedimos. Os corações humanos são tão sutis que não se dobram com facilidade. Por isso, devemos orar fervorosamente por uma pessoa antes de lhe falar. A oração é vital. Ora nomeando a aquelas pessoas às quais desejamos conduzir a Cristo, creiamos que Deus as salvará, e então guiá-las ao Senhor.

O maior obstáculo para orar é o pecado

Os novos crentes devem estar especialmente atentos a rejeitar todos os pecados conhecidos. Devemos aprender a viver uma vida santa diante de Deus. Se alguém for permissivo no que se refere ao pecado, a sua oração será impedida completamente. O pecado é um problema grave. Muitos não podem orar porque toleram o pecado em suas vidas. O pecado não só obstruirá as nossas orações, como também fará naufragar a nossa consciência.

Os novos crentes deveriam ver que a questão do pecado deve ser resolvida se querem ser destros na oração. Portanto, deve ter em conta especialmente o valor inapreciável do sangue. Viveram no pecado tanto tempo que não poderão ser totalmente libertados do pecado se são, mesmo que levemente, indulgentes com ele. Precisam confessar um a um os seus pecados diante de Deus, pô-los um a um debaixo do sangue, rejeitar cada um deles, e serem livres deles. Assim a sua consciência será restaurada. Pela purificação do sangue, a consciência é restaurada imediatamente. Com o lavar do sangue, a consciência já não acusa e pode ver naturalmente o rosto de Deus. Nunca permita cair até um ponto em que te tornes fraco diante de Deus, porque então não poderás interceder em favor de outros. Portanto, esta questão do pecado é a primeira coisa que deves atender diariamente. Trate eficientemente com o pecado; então poderás orar sem tropeços diante de Deus e trazer pessoas a Cristo. Se recordares diariamente às pessoas diante do Senhor com fé, logo as ganhará para Cristo.

Orar com fé

Uma vez que os crentes se ocuparam a fundo com os seus pecados e chegaram a manter uma limpa consciência diante de Deus, necessitam de uma ajuda adicional para ver a importância da fé.

Na realidade, a vida de oração dos novos crentes está envolvida essencialmente com a consciência e a fé. Embora a oração seja algo profundo, para os novos crentes é só uma questão de consciência e de fé. Se a sua consciência diante de Deus está limpa, a sua fé será fortalecida com facilidade. E se a sua fé é suficientemente sólida, a sua oração será respondida facilmente. Portanto, é necessário que eles tenham fé.

O que é a fé? É não duvidar quanto está orando. É Deus quem nos impulsiona a orar. É Deus quem nos assegura que podemos orar a ele. Se orarmos, ele não pode senão nos dar uma resposta. Ele diz: «Batei, e abriser-vos-á». Como posso eu bater e ele negar-se a abrir? Ele diz: «Buscai, e achareis». Posso procurar e não encontrar? Ele diz: «Pedi, e vos será dado». É absolutamente impossível que peçamos e não nos dê. Quem nós pensamos que é o nosso Deus? Deveríamos ver quão fiéis e confiáveis são as promessas de Deus.

A fé vem pela palavra de Deus. Porque a palavra de Deus é como dinheiro na mão, que pode ser tomado e ser utilizado. A promessa de Deus é a obra de Deus. A promessa nos diz qual é a obra de Deus, e a obra nos manifesta a promessa de Deus. Se crermos na palavra de Deus e não duvidarmos, habitaremos na fé e veremos quão digno de confiança é tudo o que Deus tem dito. Nossos rogos serão respondidos.

APROXIMANDO-NOS DOS PECADORES DA PARTE DE DEUS

Não basta só orarmos pelos pecadores e irmos diante de Deus em favor deles. Também devemos nos aproximar deles em nome de Deus. Precisamos lhes dizer como Deus é. Muitas pessoas se atrevem a falar com Deus, mas carecem de valor para falar com os homens. Os jovens devem ser treinados para falar com outros com ousadia. Necessitam não apenas orar, mas também oportunidades de falar.

Ao falar com as pessoas, há algumas coisas que devem ser observadas especialmente.

Nunca discuta desnecessariamente

Para falar com as pessoas, necessitamos um pouco de técnica. Acima de tudo, não devemos entrar em discussões desnecessárias. Isto não significa que nunca devemos discutir, porque em Atos encontramos várias instâncias onde houve discussão; até o apóstolo Paulo discutiu. Se você tiver que discutir, argumenta com uma pessoa em benefício de uma terceira pessoa que estiver ouvindo. Mas com aquele a quem desejas ganhar para Cristo, geralmente é preferível não discutir. Não discuta com ele nem argumente para que ele ouça. Por quê? Porque a discussão pode afugentar as pessoas em vez de atraí-las. Precisa mostrar um espírito aprazível; de outro modo, elas fugirão de ti.

Muitos pensam que a discussão pode comover o coração de uma pessoa. Mas não é assim. A argumentação, além disso, traz apenas a sujeição à mente das pessoas. Portanto, é preferível falar menos palavras da nossa mente e em troca testificar mais. Fale-lhes do gozo, da paz e do descanso que experimentaste depois que creste no Senhor Jesus. Estes são fatos que ninguém pode rebater.

Utilizando os fatos

Outro método para conduzir pessoas ao Senhor é utilizar fatos, não doutrinas, enquanto fala. Não é por causa do caráter razoável da doutrina que as pessoas vêm à fé. Muitos vêem a lógica da doutrina, mas mesmo assim não crêem.

Freqüentemente é o simples que pode salvar almas. Aqueles que são eloqüentes em pregar doutrinas podem corrigir as mentes das pessoas, mas são incapazes de salvar almas. O objetivo é salvar às pessoas, não corrigir as suas mentes. Qual é o proveito de ter uma mente correta, se o deixarmos sem salvação?

Mantenha uma atitude sincera e séria

Ao testificar, a nossa atitude deve ser sincera e séria, não dada à frivolidade. Não devemos discutir, mas apenas dar a conhecer os fatos do que experimentamos diante de Deus. Se permanecermos nesta posição, poderemos conduzir a muitos ao Senhor. Não trate de ter um grande cérebro; só sublinhe os fatos. Podemos brincar a respeito de outros assuntos, mas nesta matéria devemos ser sinceros.

Peça a Deus oportunidades

Devemos rogar a Deus que nos dê oportunidades de falar com as pessoas. Se orarmos, nos darão essas oportunidades. Algumas pessoas parecem ser difíceis de serem abordadas. Mas se você rogar por elas terá ocasião de lhes falar e elas serão mudadas.

Portanto, devemos aprender a orar e também a falar. Muitos não se atrevem a abrir a sua boca para falar do Senhor Jesus a seus amigos e familiares. Quem sabe as oportunidades o estejam aguardando, mas você as tem deixado escapar porque tem medo.

Procure pessoas de tua própria categoria

Segundo a nossa experiência, é preferível que as pessoas procurem salvar aquelas de sua própria categoria. Esta é uma regra comum. As enfermeiras podem trabalhar entre as enfermeiras, os doutores entre doutores, os pacientes entre pacientes, os funcionários públicos entre funcionários públicos, os estudantes entre estudantes. Trabalhe com aqueles que são mais próximos de ti. Não necessitas começar com reuniões ao ar livre, mas com a sua família e conhecidos. É natural para os doutores trabalhar com seus pacientes, os professores com seus estudantes, os patrões com os seus empregados, os amos com os seus servos.

Não digo que não haja exceções, pois há algumas. O nosso Senhor Jesus mesmo nos deu alguns exemplos excepcionais. No entanto, esta regra com respeito às pessoas da mesma categoria, no geral, é preferível. Que um mineiro pregue em uma universidade é excepcional. Ainda que o Senhor faça às vezes coisas excepcionais; contudo, ele não pode esperar fazer tais coisas diariamente. Por exemplo, não é muito apropriado para uma pessoa muito culta falar com os operários em um cais. Mas se alguns estivadores são salvos e saem para salvar o restante, parece-me um contato mais adequado e mais fácil.

Traga pessoas diante de Deus diariamente, através da oração

Nunca haverá um tempo em que não haja ninguém para se orar. Você pode orar por seus companheiros de estudo, por seu parceiro, seus colegas profissionais ou colegas de trabalho. Peça a Deus que ponha especialmente um ou dois deles em seu coração. Quando ele puser uma pessoa em seu coração, escreve o seu nome em seu registro e clame diariamente por ela.

Depois que tiver começado a orar por uma alma, deve também falar com aquela pessoa. Fale-lhe da graça do Senhor para ti. Isto é algo que não poderá resistir ou esquecer.

A tempo e fora de tempo

Finalmente, desejo mencionar que não é proibido falar com aqueles pelos quais não orou antes. Haverá alguns a quem falará quando os encontrar pela primeira vez. Aproveite cada oportunidade; fale a tempo e fora de tempo, porque você não sabe em quem prosperará. Deve abrir a sua boca freqüentemente, assim como deve orar sempre.

Clame por aqueles que você tem os nomes e clame por muitos cujos nomes você desconhece. Ore para que o Senhor salve pecadores. Quando te encontrares casualmente com um pecador, se o Espírito de Deus te mover, fale-lhe.

Traduzido do «Spiritual Exercise».
Christian Fellowship Publishers.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Óleo à Meia-Noite

Dêem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando... Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês” (Mt 25.8-9 NVI).

Óleo, quando usado nas Escrituras no sentido espiritual, sempre significa a unção da presença de Deus sobre uma vida. Nos tempos do Velho Testamento, quando Deus comissionava uma pessoa para uma missão específica, o óleo era derramado sobre a sua cabeça como um sinal da presença de Deus com aquela pessoa. Os sacerdotes eram ungidos com óleo, e era um pecado muito sério quebrar aquela confiança sagrada.

No Novo Testamento, Deus diz: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). Novamente em Apocalipse 1.6 “...e nos constituiu reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” É uma responsabilidade muito séria tornar-se um cristão do Novo Testamento. Deixar de trazer sempre consigo a unção fresca e imediata do Espírito Santo sobre a vida diária é tão desastroso quanto foi o fogo estranho de Nadabe e Abiú.

Quando Jesus andou nesta Terra, trazia sempre junto uma Presença e, com sabedoria ungida, inclinava-se para levantar, curar e confortar, como também para reprovar e advertir. Quando da sua partida, ele prometeu numa linguagem nada ambígua que oraria ao Pai para que derramasse aquela mesma unção sobre os seus seguidores. Com palavras claras e definitivas, ele disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). Ele também prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).

O que é que ele deve pensar de nós, sua Igreja professa, quando vê falsos ensinamentos e doutrinas de demônios sendo disseminados agressivamente por todo o mundo, espalhando uma mensagem de condenação, enquanto nós cochilamos e dormimos, permitindo que se acabe o nosso óleo? As palavras do nosso texto são tragicamente patéticas. A parábola das dez virgens não tem nada a ver com religiões falsas ou pecadores fora da igreja; ela pinta o quadro da condição das “virgens” quando da volta de Jesus. Vergonhosamente, algumas não viram a necessidade de ter uma reserva extra de óleo até que fosse tarde demais. Não é, entretanto, o nosso objetivo aqui deter-nos naquele estado depressivo; pelo contrário, desejamos gritar gloriosamente alto que ainda há uma fonte profunda, permanente e superabundante desse óleo. O Espírito Santo não deixou este mundo, nem tampouco impediu o acesso ao propiciatório.

A necessidade gritante da hora, dentro e fora da igreja, é por almas que se separem com violência santa do sono dominador desta época e passem o seu tempo a sós com o único Doador desse óleo inestimável. Jesus nunca nos deu o exemplo de depender das bênçãos de ontem. Ainda que tivesse um coração puro, apesar de ser inteiramente dedicado à sua missão e dos seus motivos serem tão totalmente impecáveis, ainda assim ele se desvencilhava de todas as necessidades prementes ao seu redor e tirava tempo para estar a sós com seu Pai celestial. Algumas vezes, era necessário deixar o sono de lado; outras vezes, ele deliberadamente se afastava da multidão; mas fosse o que fosse, ele conservava a unção na sua vida.

Esses tempos de ficar a sós com Deus ainda derramam óleo sobre a alma que espera diante dele. Esperar em Deus é quase uma impossibilidade na agenda de hoje em dia. Satanás programou perfeitamente o estilo de vida para esta hora da meia-noite em que vivemos de tal modo a não permitir que seja encontrado o óleo da unção – ou até mesmo a impedir que se busque esse óleo. Apesar de tudo isso, não é necessário que nos falte o óleo.

Um evangelista africano descobriu que estava visivelmente perdendo seu poder espiritual. Deixou de lado todos os planos, toda sua agenda e pegou uma garrafa de água e a Bíblia e foi para uma caverna para buscar “óleo”. Vinte e um dias depois, ele voltou com o óleo “pingando” abundantemente por toda sua vida e, conseqüentemente, sobre outros à sua volta.

Senhor, dá-nos do teu óleo!

Ó Senhor, dá-nos óleo, não somente para as nossas candeias, mas enche as nossas vasilhas de reserva também! O mundo lá fora, bem como a igreja daqui de dentro, está inconscientemente clamando por óleo. Quando as pressões das trevas da meia-noite começarem a realmente submergir a era presente e a sacudir os povos do sono profundo que os anestesia, nós precisaremos – PRECISAREMOS ter óleo para lhes oferecer. E podemos ter! Não há ministro, ou superintendente, ou professor de Escola Dominical, ou missionário ou leigo que não possa ir agora “...aos que vendem” a fim de adquirir o óleo que lhes está faltando (Mt 25.9). A esperança oferecida à igreja de Laodicéia foi: “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo” (Ap.3.18).

Por amor a Jesus, por amor às pessoas que estão morrendo a cada instante ao nosso redor, nós, que sabemos que existe óleo, devemos deixar de lado tudo o que for necessário até que sejamos cheios do óleo que vem do alto. Como poderemos manter o nosso coração alinhado com o de Jesus se não o fizermos? O caminho que precisamos seguir para termos uma vasilha cheia de óleo geralmente nos tornará alvos de crítica, incompreensão, desprezo, impopularidade e outras atitudes desconfortáveis para a carne humana. Muitas vezes, nos fará sentir que causamos desconforto em certos círculos, até o ponto de nos sentirmos indesejados. Mas é muito melhor enfrentar essas coisas do que a vergonha de não ter a unção do Espírito quando ela se faz mais necessária.

Graças a Deus pelo suprimento inesgotável desse óleo do alto. Jesus deixou esta afirmação no exato momento em que ele subia para voltar ao céu: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Ele anela repartir essa autoridade conosco, intercede para isso e estende a mão para nós, no entanto, nós geralmente passamos de largo.

Os corações inflamados com o seu amor não devem cessar de gritar em alta voz para a igreja impotente ao seu redor. Não é irremediável. Não é uma causa perdida. Não é tarde demais para ser reavivado e vivificado novamente com fogo santo e paixão. Que nós, que somos do dia, nos levantemos e clamemos a Deus até que sejamos revestidos mais uma vez com óleo para esta última hora da noite.

Autor: William Cawman

sábado, 2 de abril de 2011

Tesouro em Vasos Terrenos

“A glória de Deus na face de Jesus Cristo... Temos este tesouro em vasos terrenos” (II Coríntios 4:6 e 7)

Primeiro, o Tesouro. Existe no céu um Tesouro que enche os céus, e aqui estou eu, apenas um jarro pequeno e comum que pode ser tão cheio quanto conseguir conter do tesouro Celestial. Deus só tem um tesouro – Seu Filho Amado. Ele O chama de “Meu Tesouro”, e Deus colocou todas as Suas riquezas e todos os Seus tesouros em Jesus. Nele estão escondidos todos os tesouros (Cl 2:3). Deus se deleita em Seu Filho, e assim também você pode se deleitar Nele. Você pode tomar parte e se tornar indizivelmente rico em Jesus, à medida em que Ele Se derrama em você. “Deus, que nas trevas fez resplandecer luz, para a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (II Co 4:6).

A luz de Deus
A glória de Deus,
A face de Jesus,

Todas estas coisas celestiais.

A face de Jesus é o Tesouro. Muitos crentes não sabem que possuem tal tesouro. Há alguns anos atrás um campo na África do Sul contendo 40.000 libras de diamantes deve ter sido comprado por 1.000 libras, tudo porque eles não sabiam o valor dos diamantes. Se nós não sabemos que temos este Tesouro Celestial, somos muito pobres. Aprenda a dize: Eu sou tão rico! Tenho um tesouro! Sou rico além do pensamento – Tão rico a ponto de poder distribuir.

Mas como Deus concede este Tesouro? Não como nós. Talvez nós damos um centavo a um mendigo, e ele se vai, e não o vemos mais. Mas Deus não é assim. Esta benção é como o brilho do sol – não pode ser recebida e tomada. Você não pode ter a luz do sol um minuto a mais do que ela brilha em você – ela tem que ser adquirida do sol momento após momento. Assim este Tesouro Celestial me mantém esperando em Deus todo dia, para que ele possa brilhar em mim. O Tesouro Celestial é o amor. No momento em que o amor busca a si mesmo ele está morto. Somente o amor de Jesus é que brilha e busca aqueles que estão nas trevas. O brilho do sol não pode se manter para si mesmo. É a misteriosa natureza deste Brilho Celestial que faz com que ao começarmos a agarrá-lo para nós mesmos, ele se desvanece. Não podemos ter o brilho do sol e guardá-lo para nós mesmos. Olhe o sol brilhando em uma árvore. Se a árvore pudesse dizer: “Ninguém deve me ver”, poderia ela ser escondida antes que venha a escuridão? Enquanto a luz estiver nela, ela deve ser vista. Somos vasos terrenos feitos para conter o Tesouro Celestial, e nada mais; feitos para deixar que a vida, o amor, as riquezas e os tesouros de Jesus brilhem.

Olhemos agora os vasos terrenos. Sobre uma mesa eu vi, um dia, uma caneca de prata com leite e um pequeno jarro marrom com creme. Ninguém, porém resistiu ao creme por estar contido numa jarra de cerâmica. Nós gostamos de jarras de prata, mas Deus gosta muito de colocar seus mais ricos tesouros em jarras terrenas. Esta é uma lição muito importante. Os cristãos pensam tanto em suas fraquezas – “eu sou tão estúpido, tão fraco tão tolo; uma outra pessoa é dotada e pode trabalhar melhor” – Nós esquecemos que Deus quer jarros terrenos.

Havia, na África do Sul, um incrédulo que ninguém conseguia lidar com ele. Certo dia enviaram um ancião da igreja, homem inteligente e piedoso, para vê-lo. Este agiu com ele mas não conseguiu convencê-lo; não foi de proveito algum. Havia, porém, um fazendeiro que orava há anos por aquele incrédulo (o qual era ferreiro). Numa determinada manhã bem cedo ele tomou seu cavalo e cavalgou para ver aquele homem, o qual o saudou dizendo: “Bem, o que o traz aqui esta hora?” O velho fazendeiro gaguejava terrivelmente, e ao ser saudado daquela maneira ele não conseguiu pronunciar palavra alguma. O incrédulo riu e isto tornou a situação ainda pior. Finalmente aquele homem idoso irrompeu em lágrimas e gaguejou: “Estou tão ansioso com respeito à tua alma”, e foi-se apressado. Isto levou à conversão do incrédulo. Ah! Veja o Tesouro Celestial em um vaso terreno.

Isto nos ensina coragem e humildade. Eu nada tenho em mim mesmo. “Aquele que se humilhar será exaltado”; aquele que confessar que é apenas um vaso terreno, será cheio com o Tesouro Celestial. Oh, a maldição do orgulho e do eu. Nós queremos que Deus nos dê algo para que possamos ser alguma coisa, mas Deus quer que sejamos “nada”. Um Tesouro Celestial em um vaso terreno.

Paulo esteve em perigo de se esquecer disto. Ele havia pregado com demonstração do Espírito e de poder. Ele havia sido levado ao terceiro céu e ouvido coisas impossíveis de se proferir. Deus, então, permitiu “um mensageiro de Satanás” para humilhá-lo. Paulo orou sobre este assunto por três vezes, mas Jesus disse: “Não, Paulo. Eu te levei ao terceiro céu e você corre o perigo de pensar que é um vaso celestial. Eu enviei isto para te humilhar, e a Minha força é aperfeiçoada na fraqueza”. Então Paulo disse: “louvado seja Deus. Eu agora me regozijarei em todos os problemas que vierem”.

Então Paulo disse: “Apesar de eu ter labutado mais do que todos, eu nada sou. Eu nunca sonho que estou fazendo algo. Eu não estou nem um pouco atrás do principal dos apóstolos, no entanto não sou eu”.

Agora, voltando à nossa ilustração. Antes do creme ser colocado na jarra de barro, tenho certeza de que ela teve que ser limpa. Assim Deus precisa limpar orgulho e o egoísmo dos vasos terrenos.

Esta jarra, então, deve ser não apenas limpa, mas também vazia; nenhum vinagre, ou vinho, ou leite deixado na jarra para se misturar ao creme. Muitos vasos terrenos são cheios não de pecado, mas de outras coisas – coisas boas. Sim, o bom deve sair, bem como o pecado – as coisas que ninguém consegue dizer que é são más – ou senão não haverá lugar algum para o Tesouro Celestial. O amor do pai, da mãe, da irmã ou do irmão devem ser renunciados para que Deus encha com o amor de Cristo.

O vaso, então, deve estar bem baixo. Quanto mais baixo, mais fácil de encher. Alguns vasos podem estar limpos e vazios, mas não estar baixos o suficiente. Eles não se escondem no pó, portanto Deus não pode enchê-los. Oh, que possamos orar “mais baixo, mais baixo, mais baixo, Senhor; nada, nada, nada, para que somente Deus seja exaltado.”

Autor: Andrew Murray
Extraído da Revista, À Maturidade, Número 25 – Verão de 1994
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Quando Deus intenciona encher uma alma, primeiramente Ele a esvazia;
Quando Ele deseja enriquecer uma alma, primeiramente Ele a empobrece;
Quando Ele intenciona exaltar uma alma, ele primeiramente a faz sensível às suas próprias misérias, desejos e nulidade
R.C. Chapmam

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Vereda do Justo é como a Luz da Aurora

"Aprouve ao Senhor ensinar-me uma verdade, que tem beneficiado a minha vida por
mais de catorze anos. É o seguinte: percebi, muito mais claramente do que antes,
que o assunto mais importante e mais urgente com que tenho de me ocupar a cada
dia é conservar a minha alma muito feliz no Senhor. A primeira coisa com que
devo me preocupar não é tanto o quanto eu posso servir ao Senhor, mas o quanto
eu posso colocar a minha alma num estado de felicidade no Senhor e alimentar o
meu homem interior.

Eu poderia procurar servir ao Senhor pregando a verdade aos incrédulos; poderia
procurar beneficiar os crentes; poderia cuidar de aliviar os oprimidos. Poderia
ainda procurar proceder de tal maneira a me comportar como um filho de Deus
neste mundo, e contudo, por não estar feliz no Senhor e não ser alimentado e
nutrido no meu homem interior dia a dia, tudo isto poderia não ser praticado
corretamente, ou no espírito certo.

Até então a minha prática tinha sido, por pelo menos dez anos antes disso, de
habitualmente me entregar à oração logo depois de me vestir de manhã cedo. Agora
eu vejo que a coisa mais importante que eu deveria fazer era me entregar à
leitura da Palavra de Deus, e nela meditar, de tal maneira que o meu coração
pudesse ser confortado, encorajado, aquecido, reprovado, instruído. Percebi que
assim, através da Palavra de Deus, enquanto meditava nela, o meu coração poderia
ser levado a uma experiência de comunhão com o Senhor.

Comecei, a partir de então, a meditar no texto do Novo Testamento desde o
começo, cedo de manhã. A primeira coisa que eu fiz, depois de pedir em poucas
palavras a bênção do Senhor sobre a Sua preciosa Palavra, foi começar a meditar
na Palavra de Deus, pesquisando em cada versículo para obter dele uma bênção,
não para exercitar o ministério público da Palavra, não para pregar sobre aquilo
que eu estava meditando, mas para obter alimento para a minha própria alma.
Descobri que, como resultado disso, invariavelmente logo depois de alguns
minutos a minha alma era levada à confissão, ou à ação de graças, ou à
intercessão, ou à súplica; de tal modo que, embora eu não tivesse inicialmente
me dedicado à oração e sim à meditação, contudo eu era levado quase
imediatamente de um jeito ou de outro à oração.
Então, quando eu terminava com a minha súplica, ou intercessão, ou ação de
graças ou confissão, eu continuava para os outros versículos, e novamente
mergulhava na oração por mim mesmo ou pelos outros, de acordo com o que me
guiava a Palavra, mas ainda mantendo diante de mim aquele objetivo da minha
meditação, o de obter alimento para a minha alma.

A diferença, então, entre a minha prática anterior e esta atual é isto: antes,
quando eu me levantava, eu começava a orar o mais cedo possível, e geralmente
gastava quase todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou até todo o
tempo. Em todas as ocasiões eu quase invariavelmente começava com oração, a não
ser quando eu sentia a minha alma desnutrida, estéril, casos em que eu lia a
Palavra de Deus para alimento, ou para refrigério, ou para renovação ou
reavivamento do meu homem interior, antes de me entregar à oração propriamente
dita.

Mas qual era o resultado disto? Geralmente eu ficava de joelhos quinze minutos,
ou meia hora, ou até uma hora, antes de alcançar a consciência de estar
recebendo conforto, encorajamento, humildade de espírito, etc., e muitas vezes,
depois de ter sofrido com a divagação da minha mente pelos primeiros dez
minutos, ou quinze, ou até mesmo meia hora, e então somente aí é que eu começava
realmente a orar.

Raramente me acontece isto agora. Com o meu coração alimentado pela verdade,
experimentando uma comunhão real com Deus, eu falo com o meu Pai e com meu Amigo
(por mais vil que eu seja e indigno disto) acerca das coisas que Ele me trouxe
na Sua preciosa Palavra. Muitas vezes eu me admiro agora de que não tenha
percebido isto antes".

Autor: George Müller
Extraído do Jornal Arauto da Sua Vinda - Ano 15 Número 1