quinta-feira, 3 de março de 2011

O pecado mais resistente
A. W. Tozer

“Os querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”

O desejo de aprovação social é um dos pecados pessoais menos repulsivos. Ele não carrega consigo nenhuma das qualidades ofensivas, por exemplo, do amor-próprio ou da justiça-própria. Sob certas circunstâncias, poderia ser até mesmo uma virtude, pois se o mundo fosse habitado por homens e mulheres de coração puro e vida santa, seria correto e natural desejar viver de tal forma que merecesse a aprovação deles. Não há dúvida de que os seres santos que habitam o mundo espiritual se regozijam no amor e no respeito dos seus semelhantes, mas não existe nem se pode fazer nenhum paralelo entre o céu e a terra. Nós vivemos num mundo a meio caminho entre o céu e o inferno.

No inferno existe somente o mal; no céu, somente o bem; na terra, joio e trigo crescem lado a lado, e o joio é muitas vezes mais numeroso do que o trigo. Houve pelo menos um período na história do mundo quando os justos podiam ser contados nos dedos de ambas as mãos, sem contar os polegares, e as palavras de Cristo nos dão forte razão para crer que a proporção entre bons e maus não será muito diferente no final dos tempos (Mt 24.37-39; Lc 17.26-30).

A natureza humana é tão corrupta, a raça humana é tão ímpia e rebelde, que o verdadeiro amigo de Deus não será aceito pelo mundo, embora às vezes aconteça de ser elogiado por trazer algum benefício à sociedade, como, por exemplo, David Livingstone, que desbravou o interior da África. Mas quanto mais parecidos com Cristo os homens se tornarem, tanto mais sentirão a força das palavras do nosso Senhor: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (Jo 15.19); e as palavras de Paulo: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3.12).

Ser um verdadeiro cristão exige privar-se da aprovação do mundo. Contudo, somos tão humanos que esse desejo de agradar aos nossos semelhantes perdura conosco muito tempo depois que outros pecados já foram despachados. A maioria das vezes lidamos com o assunto estreitando o círculo das pessoas de quem buscamos aprovação. Consideramos o pecador mundano como impossível de agradar, e não nos preocupamos se ele nos aprova ou não. Junto com ele despachamos o liberal, o modernista, o cultista e uma multidão de outros como eles. Aí começamos a nos congratular: nós “não tememos homem algum”, somos destemidos cristãos que carregam a cruz, não nos importamos nem com a censura nem com o louvor dos homens. Talvez sim, mas onde está o cristão que de fato está morto para a opinião pública? A maior parte das vezes estamos mortos apenas para a opinião de certos setores do público, e nos guardamos para outros grupos menores, cuja opinião de fato ainda valorizamos muito. Tenho percebido como essa tendência percorre toda a sociedade humana. O intelectual zomba do favor da vasta maioria da humanidade, mas avidamente corteja o favor do seu pequeno círculo de colegas intelectuais e sente-se triste quando por eles é desaprovado. A mulher da alta sociedade parece não ligar para a opinião dos milhões que leem sobre as suas duvidosas aventuras, mas será capaz de suicidar-se, se for excluída do estreito mas seleto grupo de cuja estima ela depende como se fosse a sua própria vida e fôlego.

Entre os cristãos as coisas não são muito diferentes. Um pregador obtém a reputação de ser “destemido” no ataque aos liberais, aos católicos, à bebida alcoólica e à imoralidade, mas murmura aos pés do seu próprio pequeno grupo. Ele talvez afronte corajosamente o Papa, mas jamais ousaria cruzar o caminho do diácono endinheirado da sua congregação, nem expressará nenhuma opinião teológica que ele sabe ser contrária à maioria da opinião do grupo religioso a que está associado. Ele está inteiramente disposto a fazer inimigos de quem quer que não aprove as opiniões da sua denominação, mas ele cuidadosamente evitará ofender qualquer um da sua denominação que ocupa algum cargo que possa fazê-lo sofrer por causa de suas opiniões.

Eu não consigo crer na espiritualidade de qualquer cristão que fica de olho na aprovação dos outros, quem quer que sejam. O homem segundo o coração de Deus precisa morrer para a opinião tanto dos seus amigos como dos seus inimigos. Ele precisa estar disposto a crucificar tanto as pessoas importantes como as que não se destacam. Ele precisa estar pronto a repreender o seu superior tão prontamente como o faz com aqueles que estão ao seu próprio nível na hierarquia eclesiástica. Reprovar alguém com o objetivo de obter o favor de outra pessoa não é evidência de coragem moral. Isso acontece o tempo todo no mundo.

Nós nunca estaremos onde deveríamos estar em nossa vida espiritual, até que estejamos tão devotados a Cristo, que não desejamos outra aprovação a não ser o Seu sorriso. Quando estivermos completamente imersos nEle, o frenético esforço de agradar aos homens chegará ao fim. O círculo de pessoas que nos esforçaremos a agradar será reduzido a apenas Um. Aí, então, e nem um momento antes disso, saberemos o que é a verdadeira liberdade.


Fonte: Site Celebrando

AUTORIDADE VS. ESPÍRITO DE LIDERANÇA

"Porquanto os ensinava como tendo

autoridade; e não como os escribas.

Mateus 7.29.



Se observarmos quando várias crianças se reúnem para brincar, uma delas, ou pelo menos duas delas se destacam e tomam o domínio sobre todo o grupo. A princípio, se há mais do que uma no comando, elas lideram juntas, mas logo uma vai querer suplantar a outra. Caso uma não suplante a outra, logo iremos ver dois grupos, liderados por cada uma delas. Isto é chamado pelos psicólogos de 'espírito de liderança'.

Isto é muito claramente encontrado entre as crianças, nos adultos e também entre os denominados cristãos. Mas será que este 'espírito de liderança', tão bem quisto e até desenvolvido no mundo é também aceito no Reino de Deus? Jesus disse: "E houve também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior. E ele lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores. Mas não sereis vós assim..." Lucas 22.24-25.

Todos aqueles que exercem este tipo de autoridade são até chamados de benfeitores como disse Jesus. No mundo podemos até entender que pensem assim, mas não na Igreja de Jesus Cristo. Este tipo de liderança sempre fez muito mal para a igreja: "Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja" III João 1.9-10.

Mas se o espírito de liderança não cabe na Igreja de Jesus Cristo, ela poderá existir sem autoridade? A autoridade no Reino de Deus não consiste em nenhum espírito de liderança, mas em falar e ter vida.

Para se ter autoridade é preciso ter testemunho, fazer primeiramente e depois falar: "Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar" Atos 1.1.

A autoridade de um pastor não está no seu espírito de liderança, mas em sua carreira de fé. É a maneira de viver e não o seu discurso que lhe atribui autoridade: "Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver". Isto é porque não é ele, mas Cristo nele: "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente" Hebreus 13.7-8.

As ovelhas são um exemplo claro disso. Elas não têm líderes entre elas, apenas ovelhas mais velhas que discernem bem a voz do pastor, e servem de exemplo ao rebanho: "Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho" I Pedro 5.2-3.

Na Igreja de Jesus Cristo não cabe o espírito de liderança, mas homens tratados pela cruz, que possam viver e ensinar, não como líderes, mas como servos, servindo de exemplo ao rebanho.

Nisto sim consiste a verdadeira autoridade: "Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve" Lucas 22.26.