sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Vereda do Justo é como a Luz da Aurora

"Aprouve ao Senhor ensinar-me uma verdade, que tem beneficiado a minha vida por
mais de catorze anos. É o seguinte: percebi, muito mais claramente do que antes,
que o assunto mais importante e mais urgente com que tenho de me ocupar a cada
dia é conservar a minha alma muito feliz no Senhor. A primeira coisa com que
devo me preocupar não é tanto o quanto eu posso servir ao Senhor, mas o quanto
eu posso colocar a minha alma num estado de felicidade no Senhor e alimentar o
meu homem interior.

Eu poderia procurar servir ao Senhor pregando a verdade aos incrédulos; poderia
procurar beneficiar os crentes; poderia cuidar de aliviar os oprimidos. Poderia
ainda procurar proceder de tal maneira a me comportar como um filho de Deus
neste mundo, e contudo, por não estar feliz no Senhor e não ser alimentado e
nutrido no meu homem interior dia a dia, tudo isto poderia não ser praticado
corretamente, ou no espírito certo.

Até então a minha prática tinha sido, por pelo menos dez anos antes disso, de
habitualmente me entregar à oração logo depois de me vestir de manhã cedo. Agora
eu vejo que a coisa mais importante que eu deveria fazer era me entregar à
leitura da Palavra de Deus, e nela meditar, de tal maneira que o meu coração
pudesse ser confortado, encorajado, aquecido, reprovado, instruído. Percebi que
assim, através da Palavra de Deus, enquanto meditava nela, o meu coração poderia
ser levado a uma experiência de comunhão com o Senhor.

Comecei, a partir de então, a meditar no texto do Novo Testamento desde o
começo, cedo de manhã. A primeira coisa que eu fiz, depois de pedir em poucas
palavras a bênção do Senhor sobre a Sua preciosa Palavra, foi começar a meditar
na Palavra de Deus, pesquisando em cada versículo para obter dele uma bênção,
não para exercitar o ministério público da Palavra, não para pregar sobre aquilo
que eu estava meditando, mas para obter alimento para a minha própria alma.
Descobri que, como resultado disso, invariavelmente logo depois de alguns
minutos a minha alma era levada à confissão, ou à ação de graças, ou à
intercessão, ou à súplica; de tal modo que, embora eu não tivesse inicialmente
me dedicado à oração e sim à meditação, contudo eu era levado quase
imediatamente de um jeito ou de outro à oração.
Então, quando eu terminava com a minha súplica, ou intercessão, ou ação de
graças ou confissão, eu continuava para os outros versículos, e novamente
mergulhava na oração por mim mesmo ou pelos outros, de acordo com o que me
guiava a Palavra, mas ainda mantendo diante de mim aquele objetivo da minha
meditação, o de obter alimento para a minha alma.

A diferença, então, entre a minha prática anterior e esta atual é isto: antes,
quando eu me levantava, eu começava a orar o mais cedo possível, e geralmente
gastava quase todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou até todo o
tempo. Em todas as ocasiões eu quase invariavelmente começava com oração, a não
ser quando eu sentia a minha alma desnutrida, estéril, casos em que eu lia a
Palavra de Deus para alimento, ou para refrigério, ou para renovação ou
reavivamento do meu homem interior, antes de me entregar à oração propriamente
dita.

Mas qual era o resultado disto? Geralmente eu ficava de joelhos quinze minutos,
ou meia hora, ou até uma hora, antes de alcançar a consciência de estar
recebendo conforto, encorajamento, humildade de espírito, etc., e muitas vezes,
depois de ter sofrido com a divagação da minha mente pelos primeiros dez
minutos, ou quinze, ou até mesmo meia hora, e então somente aí é que eu começava
realmente a orar.

Raramente me acontece isto agora. Com o meu coração alimentado pela verdade,
experimentando uma comunhão real com Deus, eu falo com o meu Pai e com meu Amigo
(por mais vil que eu seja e indigno disto) acerca das coisas que Ele me trouxe
na Sua preciosa Palavra. Muitas vezes eu me admiro agora de que não tenha
percebido isto antes".

Autor: George Müller
Extraído do Jornal Arauto da Sua Vinda - Ano 15 Número 1