sábado, 2 de abril de 2011

Tesouro em Vasos Terrenos

“A glória de Deus na face de Jesus Cristo... Temos este tesouro em vasos terrenos” (II Coríntios 4:6 e 7)

Primeiro, o Tesouro. Existe no céu um Tesouro que enche os céus, e aqui estou eu, apenas um jarro pequeno e comum que pode ser tão cheio quanto conseguir conter do tesouro Celestial. Deus só tem um tesouro – Seu Filho Amado. Ele O chama de “Meu Tesouro”, e Deus colocou todas as Suas riquezas e todos os Seus tesouros em Jesus. Nele estão escondidos todos os tesouros (Cl 2:3). Deus se deleita em Seu Filho, e assim também você pode se deleitar Nele. Você pode tomar parte e se tornar indizivelmente rico em Jesus, à medida em que Ele Se derrama em você. “Deus, que nas trevas fez resplandecer luz, para a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (II Co 4:6).

A luz de Deus
A glória de Deus,
A face de Jesus,

Todas estas coisas celestiais.

A face de Jesus é o Tesouro. Muitos crentes não sabem que possuem tal tesouro. Há alguns anos atrás um campo na África do Sul contendo 40.000 libras de diamantes deve ter sido comprado por 1.000 libras, tudo porque eles não sabiam o valor dos diamantes. Se nós não sabemos que temos este Tesouro Celestial, somos muito pobres. Aprenda a dize: Eu sou tão rico! Tenho um tesouro! Sou rico além do pensamento – Tão rico a ponto de poder distribuir.

Mas como Deus concede este Tesouro? Não como nós. Talvez nós damos um centavo a um mendigo, e ele se vai, e não o vemos mais. Mas Deus não é assim. Esta benção é como o brilho do sol – não pode ser recebida e tomada. Você não pode ter a luz do sol um minuto a mais do que ela brilha em você – ela tem que ser adquirida do sol momento após momento. Assim este Tesouro Celestial me mantém esperando em Deus todo dia, para que ele possa brilhar em mim. O Tesouro Celestial é o amor. No momento em que o amor busca a si mesmo ele está morto. Somente o amor de Jesus é que brilha e busca aqueles que estão nas trevas. O brilho do sol não pode se manter para si mesmo. É a misteriosa natureza deste Brilho Celestial que faz com que ao começarmos a agarrá-lo para nós mesmos, ele se desvanece. Não podemos ter o brilho do sol e guardá-lo para nós mesmos. Olhe o sol brilhando em uma árvore. Se a árvore pudesse dizer: “Ninguém deve me ver”, poderia ela ser escondida antes que venha a escuridão? Enquanto a luz estiver nela, ela deve ser vista. Somos vasos terrenos feitos para conter o Tesouro Celestial, e nada mais; feitos para deixar que a vida, o amor, as riquezas e os tesouros de Jesus brilhem.

Olhemos agora os vasos terrenos. Sobre uma mesa eu vi, um dia, uma caneca de prata com leite e um pequeno jarro marrom com creme. Ninguém, porém resistiu ao creme por estar contido numa jarra de cerâmica. Nós gostamos de jarras de prata, mas Deus gosta muito de colocar seus mais ricos tesouros em jarras terrenas. Esta é uma lição muito importante. Os cristãos pensam tanto em suas fraquezas – “eu sou tão estúpido, tão fraco tão tolo; uma outra pessoa é dotada e pode trabalhar melhor” – Nós esquecemos que Deus quer jarros terrenos.

Havia, na África do Sul, um incrédulo que ninguém conseguia lidar com ele. Certo dia enviaram um ancião da igreja, homem inteligente e piedoso, para vê-lo. Este agiu com ele mas não conseguiu convencê-lo; não foi de proveito algum. Havia, porém, um fazendeiro que orava há anos por aquele incrédulo (o qual era ferreiro). Numa determinada manhã bem cedo ele tomou seu cavalo e cavalgou para ver aquele homem, o qual o saudou dizendo: “Bem, o que o traz aqui esta hora?” O velho fazendeiro gaguejava terrivelmente, e ao ser saudado daquela maneira ele não conseguiu pronunciar palavra alguma. O incrédulo riu e isto tornou a situação ainda pior. Finalmente aquele homem idoso irrompeu em lágrimas e gaguejou: “Estou tão ansioso com respeito à tua alma”, e foi-se apressado. Isto levou à conversão do incrédulo. Ah! Veja o Tesouro Celestial em um vaso terreno.

Isto nos ensina coragem e humildade. Eu nada tenho em mim mesmo. “Aquele que se humilhar será exaltado”; aquele que confessar que é apenas um vaso terreno, será cheio com o Tesouro Celestial. Oh, a maldição do orgulho e do eu. Nós queremos que Deus nos dê algo para que possamos ser alguma coisa, mas Deus quer que sejamos “nada”. Um Tesouro Celestial em um vaso terreno.

Paulo esteve em perigo de se esquecer disto. Ele havia pregado com demonstração do Espírito e de poder. Ele havia sido levado ao terceiro céu e ouvido coisas impossíveis de se proferir. Deus, então, permitiu “um mensageiro de Satanás” para humilhá-lo. Paulo orou sobre este assunto por três vezes, mas Jesus disse: “Não, Paulo. Eu te levei ao terceiro céu e você corre o perigo de pensar que é um vaso celestial. Eu enviei isto para te humilhar, e a Minha força é aperfeiçoada na fraqueza”. Então Paulo disse: “louvado seja Deus. Eu agora me regozijarei em todos os problemas que vierem”.

Então Paulo disse: “Apesar de eu ter labutado mais do que todos, eu nada sou. Eu nunca sonho que estou fazendo algo. Eu não estou nem um pouco atrás do principal dos apóstolos, no entanto não sou eu”.

Agora, voltando à nossa ilustração. Antes do creme ser colocado na jarra de barro, tenho certeza de que ela teve que ser limpa. Assim Deus precisa limpar orgulho e o egoísmo dos vasos terrenos.

Esta jarra, então, deve ser não apenas limpa, mas também vazia; nenhum vinagre, ou vinho, ou leite deixado na jarra para se misturar ao creme. Muitos vasos terrenos são cheios não de pecado, mas de outras coisas – coisas boas. Sim, o bom deve sair, bem como o pecado – as coisas que ninguém consegue dizer que é são más – ou senão não haverá lugar algum para o Tesouro Celestial. O amor do pai, da mãe, da irmã ou do irmão devem ser renunciados para que Deus encha com o amor de Cristo.

O vaso, então, deve estar bem baixo. Quanto mais baixo, mais fácil de encher. Alguns vasos podem estar limpos e vazios, mas não estar baixos o suficiente. Eles não se escondem no pó, portanto Deus não pode enchê-los. Oh, que possamos orar “mais baixo, mais baixo, mais baixo, Senhor; nada, nada, nada, para que somente Deus seja exaltado.”

Autor: Andrew Murray
Extraído da Revista, À Maturidade, Número 25 – Verão de 1994
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Quando Deus intenciona encher uma alma, primeiramente Ele a esvazia;
Quando Ele deseja enriquecer uma alma, primeiramente Ele a empobrece;
Quando Ele intenciona exaltar uma alma, ele primeiramente a faz sensível às suas próprias misérias, desejos e nulidade
R.C. Chapmam