segunda-feira, 23 de maio de 2011

As duas visões de Jesus

O verbo ver nas Escrituras é muito significativo. Na língua portuguesa ver é olhar, fixar os olhos, mas no original grego o verbo ver pode ter vários significados.

João 20: 6-8, nos fala mais claramente sobre isto: "Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis, e que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu".

Quando diz que Pedro viu os panos, o verbo no original grego é teorei. Ali diz que ele contemplou, examinou, mas não pode compreender como aquele lenço podia estar enrolado separado dos lençóis. Quando fala de João, o verbo viu no original é eiden, isto é, ele viu e compreendeu, ele entendeu que Jesus tinha ressuscitado, e então creu. Pedro viu os panos, e formulou várias teorias, mas João teve revelação na sua visão e pode crer.

Mas João teve uma outra visão de Jesus em Apocalipse 1.12:18. Na primeira ele teve uma visão de fé. Os seus olhos foram abertos para crer no Senhor e na obra realizada na cruz. Naquele momento ele somente teve a revelação da Sua ressurreição, mas a segunda viu a Jesus em toda a sua glória. O apóstolo Paulo também teve estas duas visões. A primeira foi no caminho de Damasco; a segunda, quando foi arrebatado ao terceiro céu, onde ouviu coisas inefáveis que ao homem não é digno revelar (II Cor. 12.1-4).

A primeira visão que tivemos, foi para nos dar entendimento pelo Espírito para compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus. Coisas que os olhos carnais nunca viram e jamais podiam ver (I Cor. 2.9-13). Mas há a necessidade de outra visão, a de Jesus glorificado. Para vermos isto é necessário outro milagre do Senhor: que Ele nos dê o espírito de sabedoria e de conhecimento. Esta é uma visão que vem pelos olhos espirituais (Ef. 1.17-20).

A cura daquele cego de Betsaida também nos ensina sobre essas duas visões de Jesus (Luc. 8.22-25). A primeira é um milagre real. Fomos regenerados, libertos de nossa natureza perversa e escrava do pecado para andarmos em novidade de vida. Mas será que conseguimos ver o Senhor? Este cego não viu o Senhor. Como este cego, nós também podemos andar um bom tempo não enxergando claramente, vendo apenas os homens e não o Senhor.

Creio que apenas depois de vermos a Jesus, o Cristo exaltado à destra de Deus, com todo o poder nos céus e na terra, iremos fixar os nossos olhos nEle, o autor e consumador da fé (Hebreus 12.2). Só depois disso, iremos fazer como João: cair aos seus pés como morto; negarmos a nós mesmos, tomar a nossa cruz e segui-lo.