quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Os três evangelhos

"...segundo o meu evangelho..." (Romanos 16.25).

Uma coisa que me intrigou por muito tempo, é que como Paulo podia ter a ousadia de chamar o evangelho de seu evangelho. Paulo em Romanos, fala no capítulo 1, no verso 15, que gostaria de anunciar também aos romanos o evangelho.

De que evangelho ele fala, sendo que ele não escreve a pessoas incrédulas, que não conhecem ao Senhor Jesus, mas sim a irmãos em Cristo? E todos irmãos já amadurecidos como ele mesmo nos apresenta em Romanos capítulo 16!

A princípio vemos nas Escrituras o evangelho da graça: "Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (At. 20.24). Este evangelho nos fala de toda a graça de Deus que nos dada em Cristo naquela cruz. O evangelho da graça é Cristo crucificado, a Palavra da cruz: "Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus" (I Cor. 1.17-18).

Quando cremos no evangelho da graça, nascemos de novo e entramos no reino de Deus (João 3.3-5). Uma vez no reino, o Senhor nos apresenta o evangelho do reino. O evangelho da graça nos fala das boas novas em Cristo para a nossa salvação, o evangelho do reino nos fala das boas novas sobre o reino em Cristo: "E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino..." (Mat. 4.23).

Grande parte da pregação de Jesus foi sobre o evangelho do reino, o evangelho para os filhos de Deus. Se ouvirmos sobre o evangelho do reino antes de ouvir o evangelho da graça, corremos o risco de achar que a salvação é pelas obras, mas não. O evangelho da graça é toda a graça que nos foi dada por Deus em Cristo, já o evangelho do reino é para que os santos que estão em Cristo participem do Seu reino: "Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos..." (II Tim. 2.11-12).

Agora chegamos ao terceiro evangelho, o evangelho de Paulo. Este evangelho que ele chama de seu evangelho, nada mais é do que a revelação do mistério que lhe foi dada por Deus, o mistério de Cristo que é a Igreja. As riquezas insondáveis em Cristo, a dispensação do mistério que esteve oculto por gerações: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo" (Ef. 3.8-9).

Não há três evangelhos, mas apenas um: o evangelho de Deus. As boas novas de grande alegria que Deus deu ao homem em Cristo; a justiça de Deus que é revelada de fé em fé.

Tanto o evangelho da graça, como o evangelho do reino e o evangelho de Paulo fala de tudo o que Deus nos deu em Cristo, o Filho do Deus vivo: "Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rom. 1.3-4).


Fonte: Águas Vivas